Friday, April 22, 2011

Carpideira

Nome Fermenino
1.antiquado mulher que era paga para ir chorar os defuntos durante os funerais
2.figurado mulher que anda sempre a lastimar-se
3.figurado lamúriachoradeira
(De carpir+-deira)
 
Os portugueses adoram carpir, é uma tradição antiga que não existe nos países anglo-saxónicos. Dizem-me que é um traço característico da cultura cristã, é possível. Na cultura cristã a riqueza é um pecado e até a felicidade é um sentimento problemático, daí que os portugueses, como bons cristãos se lamuriem constantemente, mesmo sem quaisquer motivos.
Não devemos é confundir esta característica portuguesa, eminentemente feminina (as carpideiras são sempre mulheres) com neuroses, ou "neuroticismo".
Para além de que há quase sempre um lucro que advém da lamúria. As carpideiras eram pagas e os portugueses quando se lamuriam estão quase sempre a reivindicar qualquer coisa. Mais uma vez, nada é o que parece nas sociedades católicas.
 
Victor Alves

Sunday, April 11, 2010

Guitarra Toca Baixinho



Guitarra toca baixinho
Que alguém pode escutar
Só ela deve entender,
Só ela deve saber
Que estou falando de amor...

Cantam os grilos no campo,
E um pássaro no ramo,
Ninguém dorme nesta noite,
E menos ela que agora,
Escuta um riacho e suspira!

Lua parada no céu,
O vaga-lume que passa,
Guitarra minha toca baixinho,
E mesmo com a mão incerta,
Toca guitarra que é hora!

É hora, de dar-lhe todo bem que há no meu peito,
Dizer-lhe Deus também tenho direito
De amá-la como nunca amei ninguém!
É hora de respirar um pouco de ar puro,
Um prado é verde quando é Primavera,
E o Sol é quente mas a noite espera,
Por nós ...

A noite está tão serena,
Eu dormindo em seu seio...
Deus! Como bate o coração,
A gente sonha e agora,
Dorme guitarra que é hora!

É hora, de dar-lhe todo bem que há no meu peito,
Dizer-lhe Deus também tenho direito
De amá-la como nunca amei ninguém!
É hora de respirar um pouco de ar puro,
Um prado é verde quando é Primavera,
E o Sol é quente mas a noite espera,
E é hora...

Ha quanto tempo...............!



La festa appena cominciata
È già finita
Il cielo non è più con noi
Il nostro amore era linvidia di chi è solo
Era il mio orgoglio la tua allegria

È stato tanto grande e ormai
Non sa morire
Per questo canto e canto te
La solitudine che tu mi hai regalato
Io la coltivo come un fiore

Chissà se finirà
Se un nuovo sogno la mia mano prenderà
Se a unaltra io dirò
Le cose che dicevo a te

Ma oggi devo dire che
Ti voglio bene
Per questo canto e canto te
È stato tanto grande e ormai non sa morire
Per questo canto e canto te

Wednesday, August 19, 2009

Mira Que Te Mira Dios



"Mira que te mira Dios
Mira que te está mirando
Mira que vas a morir
Mira que no sabes cuándo

Mira que la vida es corta
Mira que el infierno es largo
Mira que te mira Dios
Mira que te está mirando"


Estas quadras, fazem parte de uma cantilena que no tempo da Guerra Civil Espanhola, os putos entoavam pelas ruas.
Guerra esta, que teve origem na crise económica espanhola, que, entre 1929 e 1936, impulsiona um grande número de greves, manifestações, e o surgimento da direita e da esquerda. Em 1931 a monarquia foi derrubada e foi proclamada a República, mas as reformas que ela promove não conseguem sanar a economia, deixando descontentes vários sectores da sociedade. Durante todo esse tempo, explodem pelo país revoltas e manifestações anti governamentais.



Sunday, May 10, 2009

Susan Boyle

A mulher que encantou o mundo!!!

Saturday, February 28, 2009

ANOTHER BRICK IN THE WALL



You, Yes You, Stand Still Laddie!

When we grew up and went to school
there were certain teachers
who would hurt the children anyway they could
by pouring their derision
upon anything we did
exposing any weakness
however carefully hidden by the kids.

Out in the middle of nowhere
they were home at night
their fat and psychopathic wives
Would thrash them within inches of their lives!

We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teacher! Leave them kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.

(A bunch of kids singing) We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teacher! Leave us kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.

Spoken:
"Wrong, Guess again!
Wrong, Guess again!
If you don't eat yer meat, you can't have any pudding.
How can you have any pudding if you don't eat yer meat?
You! Yes, you behind the bikesheds, stand still laddie!"

Saturday, August 02, 2008

Sólo Puedo Mirar Atrás

Ya sabes, esta noche me siento tan solo
Y perdido porque no estás.
Y esos recuerdos están llenos de ti,
De tu primavera. Una playa nuestra
Donde fui arena para sostenerte,
Un mar nuestro donde fui la ola
queTe llevaba. Tu presencia, pequeñas cosas,
Y ahora este vacío, sin poder mirar
Hacia el futuro, solo sin ti.

Hacia atrás, sólo puedo mirar atrás
Y sentir que vuelvo a estar
Aún vivo para el amor,
Una voz que viene de un atardecer
Me hace ver que aún puede ser.

Hoy estoy muy lejos de esos recuerdos.
Dónde estás? Te acuerdas de mí, o te habrás olvidado?
Talvez tú piensas que fue una tontería conocerme,
Y aquella arena y aquel mar sólo fueron recuerdos.
Cierro los ojos y te imagino.
Te esperaré un mes, un año, toda la vida,
Por que lo que siento no tiene tiempo,
Se llama amor.

Hacia atrás, sólo puedo mirar atrás
Y sentir que vuelvo a estar
Aún vivo para el amor,
Una voz que viene de un atardecer
Me hace ver que aún puede ser.



Monday, July 07, 2008

A Toi

A toi

A la façon que tu as d'être belle

A la façon que tu as d'être à moi

A tes mots tendres un peu artificiels

Quelquefois

A toi

A la petite fille que tu étais

A celle que tu es encore souvent

A ton passé, à tes regrets

A tes anciens princes charmants

A la vie, à l'amour

A nos nuits, à nos jours

A l'éternel retour de la chance

A l'enfant qui viendra

Qui nous ressemblera

Qui sera à la fois toi et moi

A moi,

A la folie dont tu es la raison

A mes colères sans savoir pourquoi

A mes silences et à mes trahisons

Quelquefois

A moi

Au temps que j'ai passé à te chercher

Aux qualités dont tu te moques bien

Aux défauts que je t'ai cache

A mes idées de baladin

A la vie, à l'amour

A nos nuits, à nos jours

A l'éternel retour de la chance

A l'enfant qui viendra

Qui nous ressemblera

Qui sera à la fois toi et moi

A nous

Aux souvenirs que nous allons nous faire

A l'avenir et au présent surtout

A la santé de cette vieille terre

Qui s'en fout

A nous

A nous espoirs et à nos illusions

A notre prochain premier rendez-vous

A la santé de ces milliers d'amoureux

Qui sont comme nous.


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" Há quatro coisas na vida que não se recuperam:
A palavra depois de proferida,

A pedra depois de atirada,

A ocasião depois de perdida,

O tempo depois de passado."


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Victor Alves

Saturday, July 05, 2008

A Ti Mulher



Mulher, em teu peito o universo,

em teu olhar janelas de esperança;
em teu riso as portas do paraiso.
Mulher mãe, Mulher amante, Mulher criança
alma colorida e cheia de prenuncios
muitos sentidos além dos sentidos!
Palavras de ternura ao pé do ouvido,
razão coberta pela emoção
berço da vida, esteio do mundo,
costela que virou perfeição!



Thursday, May 15, 2008

Andrea Bocelli - Besame Mucho



Besame,
besame mucho
como si fuera ésta noche
la última vez

Besame, besame mucho
que tengo miedo a perderte
perderte después

Besame,
besame mucho
como si fuera ésta noche
la última vez

Besame, besame mucho
que tengo miedo a perderte
perderte después

Quiero tenerte muy cerca
mirarme en tus ojos
verte junto a mi
Piensa que tal vez mañana
yo ya estaré lejos,
muy lejos de ti

Besame,
besame mucho
como si fuera ésta noche
la última vez

Besame, besame mucho
que tengo miedo a perderte
perderte después

Besame,
besame mucho
que tengo miedo a perderte
perderte despues

que tengo miedo a perderte
perderte despues...

Metade de mim......

Tuesday, May 13, 2008

Não sei quantas almas tenho





Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.



Fernando Pessoa

Friday, October 12, 2007

Pensamentos Que Nunca Se Esquecem



"Fiz um acordo de coexistência
pacífica com o tempo:
nem ele me persegue, nem eu fujo dele,
um dia a gente se encontra" (Mário Lago)





"Nunca andes pelos caminhos traçados,
pois ele conduzem-te somente até
onde os outros foram." (Grahan Bell)






"A vida só pode ser compreendida
olhando-se para trás;
mas só pode ser vivida
olhando-se para a frente."
(Soren Kierkegaard)






"Tu não pode ensinar nada a um homem;
podes apenas ajudá-lo
a encontrar a resposta dentro dele mesmo."(Galileu Galilei)





" Ama-me quando eu menos merecer,
pois é quando eu mais preciso"
(Provérbio chinês")

Creio

Aqui fica uma oração de Mahatma Gandhi que também pode ser minha, nossa...




Creio em mim mesmo.
Creio nos que trabalham comigo, creio nos meus amigos e creio na minha família.
Creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos.
Creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir, sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam no que eu acredito.
Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende da sorte, da magia, de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe.
Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar. Serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo.
Não caluniarei aqueles que não gosto.
Não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem.
Prestarei o melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz.
Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que às vezes ofendo os outros e necessito de perdão.

Friday, March 02, 2007

A DESPEDIDA DE MARQUEZ

Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem.
Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.
Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.
Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.
Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida.
Não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes:
te amo, te amo.
Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor.
Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens.
Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre.
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo.

Autor : Gabriel Garcia Marquez


Nas últimas horas (14/09/2000) os computadores do mundo inteiro,
via Internet, reproduzem este texto de Gabriel Garcia Marquez,
que vive lúcido e consciente os seus últimos dias de vida,
vítima de um cancro linfático.


V. Alves

Metamorfose

Ricardo adorava as mulheres, era louco por elas, achava-as seres únicos e superiores. Em tudo, a todos os níveis. Sonhava com as mulheres, vivia para as mulheres, só falava na mãe, na irmã, nas tias, nas primas, nas namoradas, nas amigas. Tinha obsessão por tudo o que era feminino; as cadelas, as azeitonas, as pombinhas, as baratas, as gabardinas, as camisas da noite. Tanto que era assim que Ricardo quis ser Ricardina e dar a luz, pintar os olhos, usar saltos altos, ter brincos nas mamas, fazer dietas de emagrecimento, passar dias inteiros nos centros comerciais, gastar o ordenado em roupa, levar porrada do marido, ser assediada pelo patrão, ser despedida por causa do decote, ficar em casa a tratar dos filhos, sofrer de incontinência urinária, esconder a celulite na praia, odiar as mulheres.



V. Alves

Saturday, February 10, 2007

A vertigem do vórtice


Será este o célebre "buraco" orçamental por onde se esvai o dinheiro dos nossos impostos?

Tuesday, December 26, 2006

A melhor frase do 2006


Querido filho, estás a cometer no Iraque o mesmo erro que eu cometi com a tua mãe: não retirei a tempo...

Victor Alves


Thursday, December 21, 2006

Me lo Juro a Mí Mismo



A partir de Hoy no lamentaré más el día de ayer.
El está en el pasado y el pasado nunca cambiará.
Sólo yo puedo cambiar si eso es lo que escojo.

A partir de Hoy no me preocuparé más con el mañana.
El mañana siempre estará allá esperando por mí
para volverlo lo mejor posible.
Pero no puedo hacer lo mejor por el mañana
sin primero hacer lo mejor Hoy.


A partir de Hoy me miraré en el espejo y veré
a alguien valioso y merecedor de mi respeto y admiración.
Alguien con quien me gusta pasar mis horas
y a quien conseguiré conocer mejor.

A partir de Hoy trataré con cariño cada día de mi vida.
Valorizaré ese presente y lo compartiré sin
egoísmo con mis semejantes.

A partir de Hoy observaré mis pasos y superaré
los disgustos si tuviera tropiezos.
Enfrentaré los desafíos con valor y determinación.
Superaré las barreras que intenten impedir
mi búsqueda de crecimiento y auto-superación.

A partir de Hoy viviré la vida día por día dando paso por paso.
La desmotivación no tendrá permiso para manchar
mi propia imagen positiva, mi deseo de ser exitoso
ni mi capacidad para amar.

A partir de Hoy renovaré mi Fe en la raza humana,
despreciaré lo malo que ya sucedió y pasó.
Creeré que hay esperanza en un futuro brillante.

A partir de hoy abriré mi alma y mi corazón.
Le daré la bienvenida a las nuevas experiencias
y disfrutaré de conocer nuevas personas.
No pretenderé ser perfecto ni exigiré a los demás
que lo sean, pues la perfección absoluta
no existe en este mundo.
Aplaudiré las tentativas de fortalecimiento
del lado débil de la naturaleza humana.

A partir de Hoy yo soy el responsable por mi felicidad
y no escatimaré esfuerzos para mantenerme feliz.
Miraré las maravillas de la Naturaleza,
escucharé mis canciones favoritas,
tendré una mascota, tomaré baños reconfortantes
y encontraré placer en los detalles más simples y variados.

A partir de Hoy aprenderé siempre algo nuevo,
experimentaré cosas diferentes, saborearé con gusto
todo lo que la Vida tiene para ofrecer.
Cambiaré lo que pueda y quiera cambiar .
El resto lo dejaré simplemente pasar ...
Agradeceré por todo lo bueno que tengo,
por ser alguien que puede ser mejor,
pues AHORA sé que eso es posible.

A partir de Hoy y para siempre.
¡Me lo Juro a Mí Mismo!


V. Alves

Um banco sobre o Natal


Sentou-se no banco, o corpo pequeno, dorido ainda do frio da noite e do degrau cama.
Olhou a rua colorida de natal, e desejou ser grande, ter mãos que carregassem presentes, e sorrisos à espera numa casa natal cheia de calor, e não ser assim pequeno, o corpo dorido do frio, as mãos vazias de sonhos.
O rosto foi-se fechando, ficando duro e adulto enquanto a avenida se enchia de mãos que carregavam presentes, de mãos que puxavam filhos, de filhos que apontavam montras onde estava o natal e diziam, "Olha mãe."
Mãe, disse ele baixinho ensaiando a palavra.
Mãe, disse ele sentindo a estranheza da palavra.
Mãe, disse ele zangando, sabendo da inutilidade da palavra.
E levantando-se de repente do banco, correu, e sem olhar roubou um saco que uma mão de mãe carregava.
Escondeu-se no degrau-cama e apertou com força nas asas do saco, a mão da mãe e os natais que nunca tivera.

José viu ainda ao sentar-se no mesmo banco, o miúdo que fugia e a senhora que gritava, agarra que é ladrão.
Sentiu o sol que lhe aquecia o rosto enrugado, tão enrugado e já sem idade, tão enrugado que já sem filhos para dar presentes.
- Cada um tem a sua vida, pensou, cada um tem o seu natal.
E lembrou-se do rosto de cada um deles, grandes e pequenos, recebendo presentes e dizendo pai, recebendo presentes e dizendo avô.
Até que o rosto perdeu a idade e o corpo perdeu a firmeza, e com ela os filhos e os netos que hoje tinham natais aos quais ele não pertencia.
Era já um estranho para quem ele amava.
Morto já, na lembrança de quem amava.
Sentiu frio ao olhar a avenida colorida de natal.
Lentamente, levantou-se.
Caminhou atrasando os passos, para a casa fria a que chamavam lar.
Para a casa-lar onde se guardam as pessoas sem idade, sem rosto e sem natal.
Como ele.

Marília viu o banco ensolarado que José abandonara, e deixou cair nele corpo e solidão.
- Como odeio gente feliz, pensou olhando a avenida colorida de natal.
Odiou-se por sentir ciúmes da felicidade alheia.
Odiou-se por não ser uma daquelas pessoas que entravam e saíam das lojas, com outras pessoas e prendas a dar no pensamento.
Fechou os olhos e sentiu o sol, as lágrimas e o desejo de não ser ela.
Lembrou-se dos natais passados, de sonhos perdidos pelas ruas da cidade, de sonhos pisados como o rosto dela escondido atrás de uns óculos escuros.
Sabia-se invisível no meio da multidão.
Sabia, que uma multidão feliz é o melhor local para se proteger dos olhares.
Para se esconder.
Parára para ganhar um tempo.
A noite caía, Marília levantou-se.
Olhou em volta. Escolheu um rumo qualquer, uma calçada qualquer, uma rua qualquer.
Adiava o momento de voltar a casa.
Medo de voltar à casa onde as paredes eram solidão. Onde o medo era lugar.

Noite…
Um bebâdo da cidade com chapéu de Pai Natal, percorria como um fantasma a avenida deserta e colorida.
De pé no mesmo banco, abriu os braços e começou a cantar:
“ Noite feliz. Noite de amor…”


Encandescente